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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Afinal o que é a Parentalidade Consciente?



A Parentalidade Consciente é uma forma de estar na vida em que o foco está no desenvolvimento conjunto de pais e filhos. Sendo os pais a génese em que tudo se inicia, é também neles que a Parentalidade Consciente se foca em primeiro lugar. 



Exercer uma Parentalidade Consciente é uma escolha que se faz por amor. Em primeiro lugar, amor por nós, pois só nos amando somos capazes de amar. Depois, alargando esse amor e estendendo-o aos filhos. Transformando-nos a nós próprios e fazendo o nosso percurso de desenvolvimento pessoal, estaremos então aptos para podermos empoderar os nossos filhos. 

A Parentalidade Consciente possibilita um autoconhecimento dos pais, e estes, ao conhecerem-se melhor, têm depois a possibilidade de poderem partilhar com os seus filhos a melhor versão de si próprios. 

Esta transformação pessoal tem por base o Mindfulness e a definição dos valores e intenções dos pais, o que significa que a Parentalidade Consciente é a vivência da parentalidade baseada na prática de Mindfulness e nos nossos valores e intenções.  

Vamos por partes. Então o que é Mindfulness? 

Mindfulness é “uma forma de prestar atenção de propósito, no momento presente e sem julgamento perante o que esteja a surgir no seu campo de experiência.” (Jon Kabat- Zinn). 

De uma forma mais simples, é a atenção plena, no momento presente sem julgamentos. 

O Mindfulness vai então permitir que esteja mais presente e mais consciente em todos os momentos da sua vida e pode escolher fazê-lo especialmente com os seus filhos. Esta forma de estar, como tudo na vida, treina-se por isso vai precisar de prática, paciência e persistência. Com o tempo verá que vale muito a pena, pois vai ser capaz de responder a algumas questões com mais clareza, harmonia e paz interior. Por exemplo: 

  •  O que se está a passar com o meu filho neste momento? 
  •  O que é que o meu filho necessita? 
  •  O que é que eu estou a sentir?

Estando de uma forma inteira, completa, em cada momento que se convida e disponibiliza a estar com os seus filhos, vai poder aproveitar cada instante tal como ele é, dando-se conta das suas verdadeiras necessidades e das dos seus filhos. Vai poder estar mais atento às situações que geram conflito e poderá também reduzir os momentos de tensão, causados na maioria dos casos por preocupações ou pensamentos relacionados com o passado ou o futuro. Por exemplo, o seu filho convida-o para brincar com ele. Você vai, mas durante a brincadeira está a pensar no que vai fazer para o jantar, na reunião que deveria estar a preparar para o dia seguinte. Ou seja, não está com atenção plena nem a aproveitar verdadeiramente esse tempo precioso que está a passar com o seu filho. O seu filho também sente isso, por isso começa a exigir cada vez mais a sua presença, o que poderá resultar num momento desafiante. Numa próxima vez, poderá expressar ao seu filho o quanto é importante para si brincarem juntos e escolher que naquele momento estarão ali totalmente um para o outro. Se a idade o permitir, pode também explicar-lhe que terá uma reunião no dia seguir e que não poderá estar com ele tanto tempo como gostaria, mas que o tempo que estiver, estará realmente presente.  

No que concerne aos valores e intenções, é fundamental que os tenha bem presentes, para poder avaliar mais facilmente o que é verdadeiramente importante neste momento da sua vida. Se sentir algum bloqueio, no início é totalmente normal, pois pode ser a primeira vez que está a pensar sobre o assunto. Lembre-se que está tudo bem e que é importante tê-los escritos para poder relê-los sempre que se sinta perdido ou a desviar do seu caminho. Os valores e intenções guiam as ações, por isso, se estiverem bem definidos será mais fácil saber o que fazer em qualquer situação. 

Por vezes poderá ser útil uma ajuda para desbloquear este processo de encontrar/relembrar os seus valores e intenções. Vou tentar dar essa ajuda! 

Pense nos valores que hoje, a pessoa que é, consegue praticar, neste momento da sua vida, e que vão apoiar a relação que quer desenvolver com o seu filho. Tenha presente que não existem valores certos nem errados e que o único que sabe quais os valores que melhor o servem a si e à sua parentalidade é você. 

A Parentalidade Consciente assenta em quatro valores base que acredita serem os alicerces da vida em família: 

  •  Igual Valor – Os seus desejos, as suas opiniões, as suas necessidades e as suas emoções são respeitadas exatamente da mesma forma que as do seu filho. 

Exemplo: A minha filha partilhou comigo a sua vontade de jantar no quarto. Falámos sobre as necessidades de ambas e encontrámos uma solução que fizesse ambas felizes. Uma vez por semana, a minha filha passará a jantar no quarto. 

  •  Autenticidade – É honrar e exprimir aquilo que somos em qualquer situação. 

Exemplo: Regresso de um dia de trabalho extenuante e explico à minha filha que preciso de deitar-me cedo. Admito que estou cansada e comunico-o. 

  •  Respeito pela Integridade – Refere-se a limites e a necessidades físicas e psicológicas. Vai permitir distinguir desejos de necessidades centrais e limites pessoais. 

Exemplo: A minha filha quer uns ténis All Star. Explico-lhe que compreendo o seu desejo, mas que considerando que está a crescer, prefiro investir nuns ténis que sejam mais em conta. 

  • Responsabilidade Pessoal – É assumir a responsabilidade pela sua vida, ações e escolhas, e é deixar que o seu filho assuma as responsabilidades adequadas à sua idade. 

Exemplo: A minha filha quer vestir-se sozinha e eu deixo-a assumir a responsabilidade pessoal pela sua escolha. 

No que concerne às intenções, elas ajudam-nos a manter o foco no que realmente queremos. São diferentes de objetivos, porque não têm um fim. Por exemplo, uma das minhas intenções é manter a calma e cultivar a paciência em momentos desafiantes com a minha filha. Quando isso não acontece, regresso às minhas intenções e investigo com abertura, curiosidade e sem julgamento o que me levou a desviar do meu caminho. Ainda sobre este assunto poderá ler este artigo 

Deixo aqui alguns exemplos de perguntas que poderão ajudá-lo a definir as suas intenções enquanto pai/mãe que tencione praticar uma Parentalidade Consciente: 

  •  Que valores gostaria de transmitir ao meu filho? 
  •  Como posso ajudar o meu filho a ser feliz? 
  •  Como gostaria que fosse a nossa relação? 
  •  Como gostaria que fosse a nossa família?
  •  Como devo agir, se quero que o meu filho seja uma pessoa respeitadora e empática?

Ao decidir percorrer o caminho da Parentalidade Consciente é muito importante refletir acerca dos seus valores e intenções, pois eles serão os seus guias daqui para a frente, sempre que lhe surgirem dúvidas e momentos desafiantes.
Agora, gostaria de partilhar as respostas a algumas perguntas que me têm sido colocadas: 

Na Parentalidade Consciente, as crianças podem fazer tudo o que querem?

Não. Na Parentalidade Consciente existem limites gerais, os normalmente estabelecidos pela sociedade, e limites pessoais. Os limites pessoais são a escolha individual de cada um e deverão ser comunicados de uma forma autêntica, respeitadora e construtiva, para que a criança se desenvolva de maneira comportamental e emocionalmente madura. 

É verdade que na Parentalidade Consciente não existem castigos nem time outs? 
Sim, é verdade. A Parentalidade Consciente não tem castigos, tem consequências naturais. Por exemplo, a minha filha está a escrever na parede e eu não concordo com isso. Digolhe onde é que ela pode escrever, por exemplo numa folha e dou-lhe um pano para ela limpar a parede. Limpar o que sujou é uma consequência natural da sua ação e vai permitir uma aprendizagem direta, tendo em conta a ação que estava a praticar.  

Não existem time outs, existem time ins. Quando a criança tem um comportamento desafiante o que mais precisa é que lhe demonstremos o nosso amor incondicional. Colocá-la à parte só a vai fazer sentir-se rejeitada. Uma vez que a intenção da Parentalidade Consciente é fomentar uma maior conexão, acolhemos o que a criança está a sentir e esperamos, tendo presente que o comportamento é apenas o comportamento, não é a criança. Independentemente do seu comportamento, a criança deve experienciar que o que sentimos por ela não muda e que continuamos a amá-la, independentemente do comportamento que esteja a ter.  

Ao exercer uma Parentalidade Consciente deixo de ter situações de conflito com os meus filhos? 
Não. As situações de conflito vão continuar a existir, só que passarão a ser vistas como oportunidades de crescimento conjunto. A forma como lida com estas situações de conflito é que irá mudar pois, em vez de ver o comportamento do seu filho como algo pessoal contra si, entenderá que quando o seu filho tem um comportamento desafiante ele está centrado apenas nas suas necessidades. Por isso será necessário encontrarem um espaço de calma e serenidade, onde exista lugar para encontrarem soluções win win que funcionem para ambas as partes e que deixem ambos felizes, em vez de serem os pais a imporem soluções. 

Com a Parentalidade Consciente o meu filho vai passar a obedecer-me? 
Não. A Parentalidade Consciente não se baseia no controlo, na obediência nem no “portar bem”. A Parentalidade Consciente tem o seu foco na promoção da responsabilidade, possibilitando à criança fazer escolhas de acordo com as suas experiências, apoiando-a e promovendo a sua autoestima. A criança poderá ser mais cooperante devido à relação de amor e empatia que estabelece com ela, o que não quer dizer que faça tudo aquilo que você quer. 

Para finalizar, na Parentalidade Consciente terá a sua maior oportunidade de crescimento e mudança. Se permitir que essa mudança ocorra, irá construir com o seu filho uma relação baseada na cooperação, onde a conexão e a comunicação autêntica, aliadas a uma maior presença, potenciarão a maior viagem evolutiva que alguma vez fará, ao mesmo tempo que reforça a autoestima, responsabilidade e autonomia do seu filho.
  
Até já!
(Professora do 1.º Ciclo, Facilitadora de Parentalidade Consciente da AdPC, 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Senti-me tão mãe.

Se dantes era horrível para mim adormecer a Irene, desde que conheci a Constança, adormecê-la deixou de me enervar e passou a ser um momento até produtivo com muito contacto visual, muito miminho e, depois, de meditação. Dantes irritava-me ficar tanto tempo no quarto dela, agora acabo por ficar mais um pouco a ouvi-la respirar (a maior parte das vezes adormeço) e aproveito para processar coisas que se passaram no meu dia, coisas que tenha que fazer ou, às vezes, só a apreciar o facto de estar ali ao meu lado uma pessoa que está cá graças a mim. Muitas das coisas que mais me têm deixado feliz ultimamente, surgiram nesses minutos "extra" em que fico por lá. 

Ajudam-me a sentir-me cada vez mais confortável neste papel de mãe. Fazer este balanço silencioso de como estará a correr, como posso melhorar, o que sinto sem estar a fazer outra coisa ao mesmo tempo, tem sido muito proveitoso para mim. E que melhor banda sonora que o nosso filho enquanto ele dorme? 

Quem haveria de dizer que eu escreveria isto? Pus a Irene a dormir no quarto dela no segundo dia de vida ou terceiro porque o respirar dela não me deixava dormir. 

Hoje, quando acordou às 4h da manhã, lá fiquei com ela. Voltou a ter um pesadelo em que gemia baixinho e a respiração ficava acelerada. Fiz-lhe cafuné (como de vez em quando faço para que ela relaxe) e não resultou. Então, decidi abraçá-la e dizer que estava tudo bem. A Irene ouviu-me, a sua mãe, e relaxou. Passou. Respiração desacelerou e ficou mais pesada outra vez. 

Que coisa mais simples, mas que me fez sentir tão completa. Saber que o meu abraço e a minha voz a acalmam mesmo quando está a dormir. Não há nada mais puro que isto. 


Agora, como temos a escola ao pé de casa e do meu trabalho, conseguimos ainda ir uma hora ao jardim antes de anoitecer. Que privilégio. 

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Outros textos relacionados.


Sobre odiar adormecer a Irene: 

Querem stressar para os pôr a dormir? 

Como não nos passarmos da cabeça quando os queremos adormecer. 

Às vezes não tenho força ou paciência. 

A vida de um bicho de uma caseira muito caseira.

Sobre mudar a Irene para o quarto dela: 

Vai para o quarto dela. 

Entrevista sobre co-sleeping ao Observador.

Sobre achar que não era capaz de ser mãe: 

Não sejas estúpida, Joana. 



Coisinhas que podem ter achado giras:
Casaco - Boboli

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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Até me fez imersão!

Abençoado domingo em que decidi questionar as nossas rotinas. Geralmente, enquanto a Irene dorme a sesta da tarde, vou rapidamente aninhar-me no sofá para ver qualquer coisa na televisão com o Frederico e cochilar um pouco (já mesmo quando a miúda está quase a acordar -  um clássico). 

Depois de adormecer a Irene e de ficar alguns minutos só a ouvi-la respirar e ver o corpinho dela a mexer com a respiração, decidi não fazer o mesmo de sempre. Fui tomar um banho, longo, demorado, de imersão. 

Uma amiga minha ofereceu umas "bombas" para o banho. Uma espécie de sais para o banho, óptimas e só naturais. Experimentei e... fui feliz. Durante meia hora, pus-me toda a parte de mim que cabia dentro da banheira, ouvidos e tudo e ignorei o mundo exterior. O intercomunicador estava ligado, a água conduz o som e, portanto, qualquer coisa podia ouvir. 

Senti a minha cabeça a viajar, desde pensamentos mais concretos como "o que vou fazer a seguir", para "os rebuçados deviam ter mais cores". Senti que a minha cabeça andava aos berros e que consegui acalmá-la um bocadinho. Acho que meditei ou que me hipnotizei. Qualquer coisa. 

A água estava à temperatura perfeita e, como estava cheia de espuma, conseguia ouvir a espuma a desfazer-se nos meus ouvidos e pequenas bolhinhas de ar a contornarem-me o corpo. 

Senti primeiro os pés, isolei-os do resto do corpo. Depois as pernas, depois a barriga (parece que me esqueci do pipi), as mamas, o pescoço e a cabeça. Entrei mesmo num estado diferente que, sinceramente, não tinha nenhum outro propósito que não simplesmente deixar de ser um bocadinho. 

Acho que foi um efeito tipo SPA/Yoga só que na banheira da minha casa de banho. Foram 30 minutos em que borrifei para imensa coisa, para o cochilar no sofá, para dar um jeito à cozinha, pôr a roupa a secar... tudo. 

Adorei. 


Lembrei-me agora que um dos pensamentos que me veio à cabeça foi agradecer ao meu corpo por se ter portado tão bem durante o parto, por ter funcionado, por me ter feito ter a Irene. 

Não costumo ser tão esotérica. Influências de uma amiga minha (obrigada, Eugénia) e, sinceramente, acho cada vez mais que o crescimento interior tem de passar por reconhecermos mais a nossa dimensão espiritual que deve passar todos os dias amuada a um canto por não lhe prestarmos atenção.

Não sou coach de nada, não sei nada de Mindfulness, foi uma experiência que correu bem e que me deixou muito bem disposta e contente comigo, por me ter dado esse momento. 

Experimentem também.

PS - Não façam é como eu e tenham o telefone perto da banheira que, quando vibrou, apanhei um susto tão grande que me ia afogando. Eu, se é para me afogar, não pode ser naquela posição como se fosse a parir de fininho.